Hoje vou te levar para uma viagem inesquecível, em um país encantador: o Butão! O Butão é um pequeno reino situado no sul da Ásia, entre dois gigantes: China, ao norte, e Índia, ao sul. Está incrustado no coração do Himalaia, o que lhe confere uma geografia montanhosa e repleta de vales deslumbrantes, ricos em biodiversidade e culturas ancestrais. A capital do país é Thimphu, e além de ser o centro administrativo, também é o coração cultural e econômico do país.
Localizado na região do Himalaia, o Butão é um dos países mais isolados do mundo, o que faz parte de seu charme e preservação cultural. Para chegar ao Butão, os visitantes precisam voar para o Aeroporto Internacional de Paro, o único aeroporto internacional do país. A Druk Air e a Bhutan Airlines são as únicas companhias aéreas que operam voos para o Butão, partindo de destinos como Bangkok (Tailândia), Katmandu (Nepal), Delhi e Calcutá (Índia). Em outubro deste ano, a Druk Air (cia butanesa estatal) vai começar a operar voos diretos de Dubai para o Butão, o que vai facilitar muito o turismo butanês. As estradas de entrada estão no sul, conectando o Butão à Índia, sendo Phuentsholing a principal porta de entrada terrestre.

Apenas 50 pilotos tem autorização para pousar em Paro.
Com uma área de cerca de 38.000 km², o Butão é uma terra de contrastes geográficos. A paisagem do país varia desde as florestas tropicais no sul até as geleiras e picos nevados que marcam o Himalaia ao norte, com montanhas que chegam a ultrapassar 7.000 metros de altitude, como o Monte Gangkhar Puensum, um dos picos mais altos ainda não escalados no mundo. A biodiversidade é outro ponto forte do Butão: o país abriga inúmeras espécies de plantas e animais, incluindo algumas ameaças de extinção.
Os vales do Butão são conhecidos por sua beleza natural e importância cultural. Eles são:
Vale de Paro: É onde fica o famoso Mosteiro Taktsang, conhecido como “Ninho do Tigre”, incrustado na lateral de uma montanha. Paro também abriga o único aeroporto internacional do país e tem muitos templos e dzongs (fortalezas) históricos.
Vale de Thimphu: Lar da capital Thimphu, é o centro cultural e econômico do Butão. Além de ser a maior cidade do país, Thimphu oferece atrações como o Tashichho Dzong, uma fortaleza que é sede do governo, e a impressionante estátua de Buda Dordenma, com mais de 50 metros de altura.
Vale de Punakha: É um vale fértil, famoso por Punakha Dzong, um dos mais bonitos e históricos do Butão. O vale também é conhecido pelo cultivo de arroz e pelo encontro dos rios Pho Chhu e Mo Chhu.
Vale de Bumthang : Conhecido como a “coração espiritual do Butão”, Bumthang possui muitos templos e mosteiros antigos. É uma região importante para o budismo butanês e tem paisagens que combinam pastos verdes e florestas densas.
Vale de Phobjikha ou Gangtey: Este é um dos vales mais belos e remotos, famoso por ser o refúgio de inverno do raro grupo de pescoço negro, uma ave migratória que simboliza a harmonia do país com a natureza. É um destino popular entre os amantes da natureza e da vida selvagem.
O Butão é famoso por seu compromisso com o conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB), um índice criado para medir o bem-estar dos cidadãos de forma mais holística do que o PIB. O país valoriza profundamente suas tradições e a preservação do meio ambiente, e o governo tem políticas rigorosas para garantir que o turismo não impacte as qualidades do patrimônio natural e cultural. É um destino para quem busca tranquilidade, contato com a natureza e uma experiência cultural autêntica.
Detalhes importantes a serem lembrados: para entrar no Butão é preciso de visto, ter uma agência de viagens dando suporte e é necessário pagar uma taxa de USD 100 por dia no país. A internet funciona bem, mas para isso é preciso adquirir um chip local.
Mas e a nossa viagem, vamos a este roteiro especial?
Pousamos em Paro e em uma viagem de aproximadamente uma hora de carro, chegamos à Thimphu, onde jantamos no Pemako. De arquitetura butanesa elaborada, o hotel oferece gastronomia local.
No dia seguinte, nosso café da manhã foi começou no Six Senses, onde tivemos a oportunidade de fazer uma aula de Yoga. O Six Senses Thimphu apresenta uma arquitetura inspirada nos tradicionais dzongs (fortalezas) do Butão, combinando design butanês autêntico com toques contemporâneos e sustentáveis.
O resort possui suítes e vilas espaçosas com interiores que utilizam materiais naturais, como madeira e pedra, criando um ambiente aconchegante e sofisticado. A maioria dos quartos oferece vistas panorâmicas do vale, com amplas janelas que integram o interior ao cenário exterior.
Ainda em Thimphu chegamos ao Grande Buda Dordenma (foto abaixo). Uma impressionante estátua de Buda localizada no topo de uma colina na região de Kuenselphodrang, com vista para a cidade de Thimphu, no Butão.
Esta obra monumental é uma das maiores estátuas de Buda do mundo, com cerca de 54 metros de altura, construída em bronze e coberta por uma camada de ouro, que a torna ainda mais majestosa sob a luz do sol. A construção do Grande Buda Dordenma foi idealizada para comemorar o 60º aniversário do quarto rei do Butão, Jigme Singye Wangchuck, e como um ato de benevolência e paz. A estátua simboliza a compaixão de Buda e, segundo as pessoas locais, sua presença traz paz e prosperidade para o mundo e para o Butão.
Já a caminho de Punakha visitamos o Dochu La (foto abaixo), um dos mais belos e reverenciados pontos de passagem de montanha no Butão, localizado a uma altitude de aproximadamente 3.100 metros. Uma das características mais marcantes do Dochu é a presença de 108 chortens (pequenas fortalezas budistas), conhecidos como Chortens da Memória, que foram construídos sob as ordens da rainha-mãe, Ashi Dorji Wangmo Wangchuck, em memória dos soldados butaneses que perderam a vida em combate. Esses chortens, pintados de branco e com detalhes em dourado, estão dispostos em círculos ao longo da passagem e simbolizam a paz, proteção e purificação espiritual.
Chimi Lhakhang (foto abaixo), também conhecido como o “Templo da Fertilidade”, é um dos templos mais singulares e reverenciados do Butão. Localizado no vale de Punakha, perto do vilarejo de Lobesa, o templo foi construído no século XV e é famoso pela sua ligação com o budismo tântrico e pelos rituais de vitória da fertilidade.
O Punakha Dzong (foto abaixo), também conhecido como o “Palácio da Grande Felicidade”, é uma das mais grandiosas e históricas fortalezas-monastério do Butão. Localizado na confluência dos rios Pho Chhu (rio masculino) e Mo Chhu (rio feminino), na cidade de Punakha, este dzong é considerado um dos exemplos mais bonitos da arquitetura butanesa, sendo conhecido por sua imponência, design intrincado e significado espiritual profundo.
Nosso próximo dia de viagem foi inteiramente em Punakha, começamos visitando o Sangchhen Dorji Lhuendrup, um convento budista de freiras situado em uma colina com vistas espetaculares dos vales de Punakha, Wangdue Phodrang e das montanhas ao redor. Este convento, além de ser um importante centro espiritual, destaca-se como um símbolo de apoio à educação e ao empoderamento feminino no Butão.
O convento é conhecido por sua arquitetura impressionante, com uma grande estátua de Avalokiteshvara de 14 pés (aproximadamente 4,3 metros) no centro, esculpida em bronze e rodeada por capelas com estátuas de outras divindades budistas. Os murais detalhados, que retratam cenas e ensinamentos budistas, foram pintados por artes locais. A estrutura é ornamentada e reflete a estética tradicional butanesa, com palácios em madeira, telhados dourados e belas varandas.
Punakha Dzong (foto abaixo) é uma das construções mais icônicas do Butão, localizada na confluência dos rios Pho Chhu e Mo Chhu, no vale de Punakha. Construído no século XVII, este impressionante dzong (uma espécie de fortaleza-monastério) é um marco histórico e religioso do país, funcionalmente como o segundo dzong mais antigo do Butão e um dos mais bem preservados.
O dzong possui uma arquitetura tradicional butanesa, com paredes brancas, torres com telhados dourados e belas pinturas coloridas. Seu design único combina robustez com detalhes elaborados e sagrados, refletindo o estilo budista moderno. O local já foi sede do governo do Butão e ainda hoje é palco de cerimônias importantes, como o festival anual de Punakha, conhecido por suas danças de máscaras.
Para fechar o dia nosso almoço foi no Amankora Punakha. Um dos luxuosos lodges da rede Amankora no Butão, situado no sereno e verdejante vale de Punakha, próximo ao rio Mo Chhu e ao histórico Punakha Dzong.
Ao atravessar uma ponte suspensa, que na verdade é uma aventura (confira o vídeo abaixo), chegamos ao Pemako Punakha, este sim, localizado nas margens do rio Mo Chhu e cercado por campos de arroz. Passamos uma noite por lá, em uma cama, incrivelmente grande. Nunca vi igual.
No nosso terceiro dia começou com uma viagem de carro de três horas em direção à Gangtey. O Vale de Gangtey, ou Vale de Phobjikha, está situado a uma altitude de aproximadamente 3.000 metros, rodeado por montanhas cobertas de florestas de pinheiros. É um dos poucos vales glaciais do Butão, com um clima fresco e uma atmosfera serena. A região é acessível a partir de Thimphu e Punakha por uma estrada que passa pelo Dochu La Pass, oferecendo aos viajantes vistas panorâmicas do Himalaia.
O Arco e Flecha foi declarado o esporte oficial do Butão desde 1971, quando o país virou membro das Nações Unidas e o governo promoveu o esporte tanto internamente quanto fora do país. Mas a tradição vem de muito antes. No passado, os butaneses baniram invasões tibetanas usando arco e flecha. O rei do Butão é um super craque no esporte!
Nosso almoço foi no Six Senses Gangtey (fotos abaixo), seguido de um tracking pelas montanhas. O Six Senses Gangtey é dedicado à sustentabilidade e à preservação do meio ambiente. O resort implementa práticas ecológicas em suas operações, como o uso de materiais sustentáveis, conservação de água e energia, e apoio a projetos de conservação local. A arquitetura mistura a tradição com o contemporâneo.
O Hotel Gangtey Lodge é uma opção de acomodação no Vale de Phobjikha, no Butão. Ele oferece uma experiência única, combinando conforto moderno com a rica cultura butanesa. Oferece uma variedade de suítes e quartos, muitos dos quais possuem janelas grandes com vistas deslumbrantes do vale. As acomodações são decoradas com elementos tradicionais butaneses, proporcionando uma atmosfera acolhedora e autêntica. O hotel não conta com um spa, mas leva a maca até o quarto.
Nosso quarto dia de viagem começou com um tracking de 8kms, foram duas horas e meia para subir e uma hora para descer.
Gangtey Monastery, também conhecido como Gangtey Goenpa, é um dos mais importantes mosteiros do Butão e um centro significativo de budismo tibetano. O mosteiro foi fundado no século XVII pelo mestre budista Pema Lingpa, um renomado santo e líder espiritual que é considerado um dos principais herdeiros da tradição Nyingma.
Voltamos à Punakha. O andBeyond River Lodge (fotos abaixo) oferece suítes espaçosas e bem decoradas, com uma mistura de elementos tradicionais butaneses. Muitas suítes possuem varandas privadas, onde os hóspedes podem relaxar enquanto apreciam a vista do rio e das montanhas. O hotel é projetado para ser sustentável, utilizando práticas ecológicas e promovendo a conservação do meio ambiente, sem comprometer o conforto dos hóspedes. Os hóspedes podem participar de várias atividades, incluindo caminhadas, passeios de bicicleta, rafting e observação de aves.
O Khamsum Yuelley Namgyal Chorten (foto abaixo) está situado em uma colina com vista para o rio Punakha, acessível através de uma trilha que oferece vistas panorâmicas. O chorten foi construído entre 1990 e 1999, encomendado pela rainha mãe, Ashi Tshering Pem Wangchuck, como um tributo à felicidade e à paz do povo butanês. É dedicado à proteção do país e à prosperidade do povo.
E para fechar nosso roteiro, de volta à Paro conhecemos o Tiger’s Next Monastery, também conhecido como Paro Taktsang, é um dos mosteiros mais emblemáticos e icônicos do Butão.
O Tiger’s Nest está situado em um penhasco íngreme, a 3.120 metros de altitude, proporcionando vistas deslumbrantes do vale de Paro e das montanhas circundantes. A acessibilidade ao mosteiro é feita por uma trilha que leva os visitantes a uma caminhada desafiadora, mas recompensadora.
O mosteiro foi construído em 1692, em um local considerado sagrado. Segundo a tradição, acredita-se que o guru budista Padmasambhava (também conhecido como Guru Rinpoche) meditou nesta montanha no século VIII, tornando-a um importante local de peregrinação. O Tiger’s Nest é um símbolo da fé budista no Butão e um local de retiro espiritual. Ele abriga várias relíquias sagradas e estátuas, além de ser um importante centro de aprendizado para os monges. Foi construído em uma combinação de estilos arquitetônicos tradicionais butaneses, com estruturas de madeira, varandas e telhados de várias camadas. Ele se integra harmoniosamente à paisagem montanhosa ao seu redor. O mosteiro tem quatro andares, cada um com santuários e áreas de meditação, decorados com pinturas murais que retratam a vida de Buda e outras figuras sagradas.
A trilha até o Tiger’s Nest leva cerca de 2 a 3 horas de caminhada, dependendo do ritmo do visitante. A trilha é cercada por floresta e oferece vistas espetaculares, tornando a experiência de caminhada ainda mais gratificante. Muitos budistas consideram a visita ao Tiger’s Nest uma peregrinação espiritual, e a atmosfera ao redor do mosteiro é tranquila e contemplativa.
Algumas dicas importantes:
Na “Paro Main Town”, em Paro, existem várias lojinhas típicas com artesanato e produtos locais. Vale muito a pena fazer comprinhas lá;
Toda a população tem direito a saúde e educação pelo governo. Se acontece algo com alguém (inclusive turistas) que a estrutura de saúde deles não é capaz de resolver, o governo manda o paciente para a Índia e custeia o tratamento;
O Butão é uma monarquia constitucional democrática. O rei é chefe de estado e o primeiro ministro e detém o poder executivo. O povo do Butão tem muita devoção a família real;
A comida é muito condimentada. Eles dizem que se não for, não tem gosto;
O Butão exporta energia para a Índia. Eles são presenteados com inúmeros rios que vem dos degelos dos Himalaias. Algumas pessoas praticam rafting nesses rios;
80% dos butaneses são Budistas;
No séc. XVI, o Butão foi unificado após várias batalhas contra o Tibet, por Ngawang Namgyal, mais conhecido como “O Homem de Barba Longa”;
Os trajetos de carro entre um vale e outro são bastante sinuosos, pode dar enjoo ou algum desconforto. Mas as vistas são deslumbrantes;
Não se aluga carro no Butão. A direção é inglesa e realmente só motoristas muito treinados conseguem dirigir pelas estradinhas que contornam a cordilheira dos Himalaias;
Não tem semáforos no Butão;
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